quinta-feira, 28 de junho de 2012

Não vos turbe o vosso coração... Parte 01




Texto: João 14.1

Certa vez houve um concurso de pintura e o primeiro lugar seria dado ao quadro que melhor representasse a paz. Ficaram, dentre muitos, três finalistas igualmente empatados. O primeiro retratava uma imensa pastagem com lindas flores e borboletas que bailavam no ar acariciadas por uma brisa suave. O segundo mostrava pássaros a voar sob nuvens brancas como a neve em meio ao azul anil do céu. O terceiro mostrava um grande rochedo sendo açoitado pela violência das ondas do mar em meio a uma tempestade estrondosa e cheia de relâmpagos.
Mas para surpresa e espanto dos finalistas, o escolhido foi o terceiro quadro, o que retratava a violência das ondas contra o rochedo. Indignados, os dois pintores que não foram escolhidos, questionaram o juiz que deu o voto de desempate: - "Como este quadro tão violento pode representar a paz, Senhor Juiz?”.
E o juiz, com uma serenidade muito grande no olhar, disse: - "Vocês repararam que em meio à violência das ondas e à tempestade há, numa das fendas do rochedo, um passarinho com seus filhotes dormindo tranqüilamente?" E os pintores sem entender responderam: "sim, mas...”.
Antes que eles concluíssem a frase, o juiz ponderou: - "Caros amigos, a verdadeira paz é aquela que mesmo nos momentos mais difíceis nos permite repousarem tranqüilos”.
Talvez muitas pessoas não consigam entender como pode reinar a paz em meio à tempestade, mas não é tão difícil de entender.

Jesus pregou muitos sermões. Num deles (transcrito nos capítulos 14, 15, 16 e 17), Ele revelou seu próprio coração e preparou seus discípulos para os momentos finais de sua trajetória aqui.
Um pouco antes, chegando a Jerusalém, seguido por uma multidão, anunciara que sua própria partida estava próxima. A perspectiva de sua morte lhe trazia preocupação ao coração. Ele mesmo o disse (João 12.27), embora soubesse que sua agonia traria glória para seu Pai e completaria sua missão aqui, missão que nos alcança até hoje.
Seus ouvintes chegaram a questionar se Ele era mesmo o Messias, já que estava anunciando que iria morrer e um messias não morre. 

Para muitos, incluídos seus discípulos, a morte seria o fracasso de sua missão. Quem iria crer Nele, morto?
A caminho do momento crucial de sua vida, reúne seus seguidores mais íntimos para uma confraternização de final de vida, que conhecemos como "Ceia do Senhor".
Os curiosos ficaram de fora. Neste culto, que incluía orações, cânticos e pregação, duas revelações extraordinárias seriam feitas sobre as circunstâncias de sua morte. A primeira é que seria traído por um daqueles que comiam e bebiam com ele. E Judas, de fato, o traiu. A segunda é que um deles, que lhe jurava fidelidade permanente, acabaria por negá-lo três vezes numa mesma noite. E Pedro, de fato, o negou.
Que discípulo não ficaria perplexo? Todos, Pedro inclusive e Judas também, porque saíra para armar a traição.
Tinham, portanto, seus discípulos todas as razões do mundo para a perplexidade.
A situação deles pode a uma formatura, há tanto esperada, com os convidados já chegados, sendo cancelada na última hora porque o formando desapareceu sem dar notícias.
Ou com a descoberta de que o bebê querido e esperado está sem vida no ventre de sua mãe.
Ou com um diagnóstico de uma doença fatal sendo anunciada no dia anterior às férias cuidadosamente planejadas pelo casal.
Quem não ficaria perturbado?

CONTINUA...


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