Texto: João 14.1
Certa vez houve um concurso de
pintura e o primeiro lugar seria dado ao quadro que melhor representasse a paz.
Ficaram, dentre muitos, três
finalistas igualmente empatados. O
primeiro retratava uma imensa pastagem com lindas flores e borboletas que
bailavam no ar acariciadas por uma brisa suave. O segundo mostrava pássaros a voar sob nuvens brancas como a neve
em meio ao azul anil do céu. O terceiro
mostrava um grande rochedo sendo açoitado pela violência das ondas do mar em meio
a uma tempestade estrondosa e cheia de relâmpagos.
Mas para surpresa e espanto dos
finalistas, o escolhido foi o terceiro
quadro, o que retratava a violência das ondas contra o rochedo. Indignados, os dois pintores que não foram
escolhidos, questionaram o juiz que deu o voto de desempate: - "Como este quadro tão violento pode
representar a paz, Senhor Juiz?”.
E o juiz, com uma serenidade
muito grande no olhar, disse: - "Vocês
repararam que em meio à violência das ondas e à tempestade há, numa das fendas
do rochedo, um passarinho com seus filhotes dormindo tranqüilamente?"
E os pintores sem entender responderam: "sim,
mas...”.
Antes que eles concluíssem a
frase, o juiz ponderou: - "Caros
amigos, a verdadeira paz é aquela que mesmo nos momentos mais difíceis nos
permite repousarem tranqüilos”.
Talvez muitas pessoas não
consigam entender como pode reinar a paz em meio à tempestade, mas não é tão
difícil de entender.
Jesus pregou muitos sermões. Num
deles (transcrito nos capítulos 14, 15,
16 e 17), Ele revelou seu próprio coração e preparou seus discípulos para
os momentos finais de sua trajetória aqui.
Um pouco antes, chegando a
Jerusalém, seguido por uma multidão, anunciara que sua própria partida estava próxima.
A perspectiva de sua morte lhe trazia preocupação ao coração. Ele mesmo o disse
(João 12.27), embora soubesse que sua
agonia traria glória para seu Pai e completaria sua missão aqui, missão que nos
alcança até hoje.
Seus ouvintes chegaram a
questionar se Ele era mesmo o Messias, já que estava anunciando que iria morrer
e um messias não morre.
Para muitos, incluídos seus
discípulos, a morte seria o fracasso de sua missão. Quem iria crer Nele, morto?
A caminho do momento crucial de
sua vida, reúne seus seguidores mais íntimos para uma confraternização de final
de vida, que conhecemos como "Ceia
do Senhor".
Os curiosos ficaram de fora.
Neste culto, que incluía orações, cânticos e pregação, duas revelações
extraordinárias seriam feitas sobre as circunstâncias de sua morte. A primeira é que seria traído por um
daqueles que comiam e bebiam com ele. E Judas, de fato, o traiu. A segunda é que um deles, que lhe
jurava fidelidade permanente, acabaria por negá-lo três vezes numa mesma noite.
E Pedro, de fato, o negou.
Que discípulo não ficaria perplexo? Todos, Pedro inclusive e Judas
também, porque saíra para armar a traição.
Tinham, portanto, seus discípulos
todas as razões do mundo para a perplexidade.
A situação deles pode a uma
formatura, há tanto esperada, com os convidados já chegados, sendo cancelada na
última hora porque o formando desapareceu sem dar notícias.
Ou com a descoberta de que o bebê
querido e esperado está sem vida no ventre de sua mãe.
Ou com um diagnóstico de uma
doença fatal sendo anunciada no dia anterior às férias cuidadosamente
planejadas pelo casal.
Quem não ficaria perturbado?
CONTINUA...

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