quinta-feira, 28 de junho de 2012

Não vos turbe o vosso coração... Parte 02



  Segundo o Evangelista João, diante dos tristes momentos por virem, seus discípulos ficaram atônitos, perguntando-se sobre o que seria da vida deles sem seu mestre.
  Jesus olha para dentro dos seus discípulos, tanto os que se mostravam desesperados quanto os que se mostravam calmos, e vê a preocupação lhes tomando os corações.
  Então, dirige-lhes as doces palavras: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim" (João 14.1).
  A cena pode ser transferida para os nossos dias e mirar também os nossos corações.
  As palavras de Jesus nos soam como uma promessa e um convite, porque somos submetidos a pressões diversas.
  Como não ficar com o coração perturbado quando a lógica é que fiquemos perturbados?
  Como ter paz no coração, que é ter o coração revestido de serenidade mesmo quando o problema a tragédia bate a nossa porta?
  Jesus responde: "creia em Deus; creia em mim".
  É como se dissesse: "Daqui a pouco eu serei crucificado, mas não fiquem perturbados. Creiam em Deus; creiam em mim. Daqui a pouco eu estarei morto, mas não fiquem perturbados. Creiam em Deus; creiam em mim". 
  Em forma sintética, Jesus nos diz, então agora, podemos imaginar: "Creia na soberania absoluta, na sabedoria absoluta, na fidelidade absoluta, no amor absoluto de Deus”.
  Creia no Deus Poderoso do Antigo Testamento, que fez o que fez.
  Creia no Deus Amigo do Novo Testamento, que fez o que fez.
  Eu [Jesus] Sou a prova de que Deus não mudou.
  Lembre-se do Deus que agiu no passado, no passado registrado na Bíblia, no passado de seus discípulos, no passado de sua família, no seu próprio passado.
  O Deus que agiu no passado age agora também.
  Lembre-se que, em situações difíceis da sua vida, você encontrou alívio para a sua tristeza nas promessas de Deus.
  Estas promessas continuam impressas em letras de ouro que brilham diante de vocês.
  Quando diz "creia em Deus, creia também em mim", Jesus está dizendo que as promessas de Deus estão demonstradas visivelmente Nele.
  Jesus não nega as dificuldades, fechando os olhos para a realidade.
  Não espera que neguemos as pressões e nos afundemos numa religião que pretenda impedir que vejamos que sintamos que soframos. Ele quer que creiamos.
  Jesus nos diz que a paz interior não vem de uma vida mergulhada em tranqüilas circunstâncias.
  Mas de corações que não ficam perturbados com as circunstâncias difíceis.
Sejam pressões por resultado no trabalho ou dificuldades por falta de trabalho, sejam conflitos desanimadores em casa ou demandas irrefreáveis por consumo, sejam perspectivas sombrias sobre a saúde (nossa ou de pessoa querida) ou a alucinação do corpo, sejam desgraças da injustiça, da criminalidade e da crueldade humana ou falta de sentido por excesso de sentidos, seja o fio da dúvida se tornando caudaloso ou a fé transbordando ao ponto de virar alienação.
  A paz interior vem de Jesus, por meio da fé Nele como Senhor e Salvador.
  Nosso problema é que, na busca da paz, gastamos mais tempo evitando as dificuldades do que conhecendo Jesus Cristo, em quem está a plena liberdade.
  A paz interior vem não para quem nega as adversidades, mas para quem às enfrenta com o Poder de Jesus.
  A paz interior vem não para quem encara a adversidade confiante na força da sua sabedoria, mas para quem as enfrenta confiante no Poder de Jesus, em Quem crê.
  Quando diz "creia em Deus, creia também em mim", Jesus está nos convidando a crer Nele como Senhor e Salvador.
 “Deus sempre nos dá conforto em meio à tristeza, paz em meio à tempestade, estabilidade em meio às mudanças, perdão em meio ao pecado e amor em meio ao ódio”. (Pensamento chinês)
  Jesus é a promessa concretizada de paz na vida.
  Quando estava na agonia máxima provocada por seus inimigos, orou: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".
  Sua paz não vinha de ser amado pelas pessoas. Sua paz vinha de sua comunhão com o Pai.
  Jesus é a promessa concretizada de orientação para vida.
  Quando não sabemos o que fazer, abrimos os Evangelhos e encontramos luz para a nossa caminhada.
  Ele disse: "Eu sou a luz do mundo". Bendito é aquele que se deixa conduzir por esta luz.
  As trevas forçam, mas não predominam porque Jesus é a luz do mundo.
  Quem se põe no foco desta luz enxerga e não tropeça.


CONTINUA







Não vos turbe o vosso coração... Parte 01




Texto: João 14.1

Certa vez houve um concurso de pintura e o primeiro lugar seria dado ao quadro que melhor representasse a paz. Ficaram, dentre muitos, três finalistas igualmente empatados. O primeiro retratava uma imensa pastagem com lindas flores e borboletas que bailavam no ar acariciadas por uma brisa suave. O segundo mostrava pássaros a voar sob nuvens brancas como a neve em meio ao azul anil do céu. O terceiro mostrava um grande rochedo sendo açoitado pela violência das ondas do mar em meio a uma tempestade estrondosa e cheia de relâmpagos.
Mas para surpresa e espanto dos finalistas, o escolhido foi o terceiro quadro, o que retratava a violência das ondas contra o rochedo. Indignados, os dois pintores que não foram escolhidos, questionaram o juiz que deu o voto de desempate: - "Como este quadro tão violento pode representar a paz, Senhor Juiz?”.
E o juiz, com uma serenidade muito grande no olhar, disse: - "Vocês repararam que em meio à violência das ondas e à tempestade há, numa das fendas do rochedo, um passarinho com seus filhotes dormindo tranqüilamente?" E os pintores sem entender responderam: "sim, mas...”.
Antes que eles concluíssem a frase, o juiz ponderou: - "Caros amigos, a verdadeira paz é aquela que mesmo nos momentos mais difíceis nos permite repousarem tranqüilos”.
Talvez muitas pessoas não consigam entender como pode reinar a paz em meio à tempestade, mas não é tão difícil de entender.

Jesus pregou muitos sermões. Num deles (transcrito nos capítulos 14, 15, 16 e 17), Ele revelou seu próprio coração e preparou seus discípulos para os momentos finais de sua trajetória aqui.
Um pouco antes, chegando a Jerusalém, seguido por uma multidão, anunciara que sua própria partida estava próxima. A perspectiva de sua morte lhe trazia preocupação ao coração. Ele mesmo o disse (João 12.27), embora soubesse que sua agonia traria glória para seu Pai e completaria sua missão aqui, missão que nos alcança até hoje.
Seus ouvintes chegaram a questionar se Ele era mesmo o Messias, já que estava anunciando que iria morrer e um messias não morre. 

Para muitos, incluídos seus discípulos, a morte seria o fracasso de sua missão. Quem iria crer Nele, morto?
A caminho do momento crucial de sua vida, reúne seus seguidores mais íntimos para uma confraternização de final de vida, que conhecemos como "Ceia do Senhor".
Os curiosos ficaram de fora. Neste culto, que incluía orações, cânticos e pregação, duas revelações extraordinárias seriam feitas sobre as circunstâncias de sua morte. A primeira é que seria traído por um daqueles que comiam e bebiam com ele. E Judas, de fato, o traiu. A segunda é que um deles, que lhe jurava fidelidade permanente, acabaria por negá-lo três vezes numa mesma noite. E Pedro, de fato, o negou.
Que discípulo não ficaria perplexo? Todos, Pedro inclusive e Judas também, porque saíra para armar a traição.
Tinham, portanto, seus discípulos todas as razões do mundo para a perplexidade.
A situação deles pode a uma formatura, há tanto esperada, com os convidados já chegados, sendo cancelada na última hora porque o formando desapareceu sem dar notícias.
Ou com a descoberta de que o bebê querido e esperado está sem vida no ventre de sua mãe.
Ou com um diagnóstico de uma doença fatal sendo anunciada no dia anterior às férias cuidadosamente planejadas pelo casal.
Quem não ficaria perturbado?

CONTINUA...